Como dizia Chain Samuel Katz “Nós não temos ciúme; é ele, este sentimento, que nos têm”.
MAS QUEM GOSTA DE DIVIDIR A PESSOA AMADA COM ALGUÉM? Quando estamos enamorados, que é o estágio de uma relação amorosa, é o momento onde o ciúme ainda não tem lugar, é uma fase gostosa, onde estamos voltados totalmente para o outro, e o que amamos no outro, são coisas simples como o sorriso, a voz, o jeito de falar....
Estas coisas tornam esse estágio muito rico, quando há troca vivemos um sentimento de muita importância e valor, nos sentimos insubstituíveis.
ENTÃO, QUANDO ENTRA O CIÚME?
O ciúme nem sempre vem de fora para dentro, pode vir de nossas inseguranças, de nossas fantasias e medos. Ameaçando, destruindo e até mesmo levando ao rompimento da relação. No relacionamento amoroso estamos sempre pensando no ser amado, no que já foi vivido, na troca de carinho e de prazer, sempre estamos construindo e reconstruindo a relação no nível do pensamento, garantindo assim que continuemos investindo no futuro dessa relação, muitas vezes “idealizando”. E é aí que muitas vezes as coisas saem erradas, pois o que foi “idealizado”, sonhado, não corresponde com a realidade. Muitas vezes há uma grande distância entre o sonhado e o realizado.
Uma relação amorosa não se sustenta só com sonhos, ela é baseada principalmente com a realidade, com a troca, com o relacionamento em si. A relação idealizada tem que estar congruente com a realidade e para que isso ocorra passamos a buscar sinais do amor, provas, atos e gestos amorosos. Quando não encontramos ou não encontramos do jeito que imaginamos, cria-se o ambiente favorável para a instalação do ciúme, que traz junto a possível introdução de um “terceiro” na relação.
TIPOS DE CIUMENTOS
Com o surgimento de um terceiro na relação, ou a simples possibilidade, conduz a alguns tipos de reação e de tentativa de resolução. Um desses tipos é o “tipo heróico” aquele que aceita e admite o interesse e até mesmo o amor do seu par por outra pessoa, tendo como fala: “Pode ir, se é isso que você quer” ou mesmo “Tudo bem, contanto que você seja feliz”.
Mesmo estando com raiva, magoado ou mesmo com ódio, tenta superar, se submetendo a tentar ser do “jeito” que a pessoa amada deseja, ou no mínimo do jeito que ele acha que o “amado” gostaria, passando a imitar e ter como modelo o “terceiro”. Neste caso quando a relação termina, a pessoa sente-se obrigada a desistir do “amado”, e muitas vezes o faz sentindo muita raiva, mágoa e até ódio. Sua reação é de destruir o passado, as lembranças, as memórias, os presentes, tendo em seguida a apatia e até mesmo a depressão.
Outro tipo é o “passional” sua característica é baseada na exclusividade do prazer, por exemplo: “Só ele me dá prazer”, “Sem ele não vivo”, não é apenas uma busca é muito mais do que isso, chega a ser uma necessidade, passando do desejo, do prazer, para a dependência e necessidade.
Este tipo acontece na esfera do pensamento, então muitas vezes a introdução do “terceiro” é fantasiosa, só acontece na fantasia, sem correspondente na realidade. O ciúme neste tipo é muito forte e persecutório, podendo tornar a vida do “amado” um verdadeiro inferno.
Existe a “paixão unilateral” que se estabelece na eminência de uma separação, instalando-se imediatamente o ciúme, pois a pessoa vive o tempo todo achando que vai ser abandonada, rejeitada, trocada, descartada. O “amado” passa a ser a única fonte de prazer. “Prefiro morrer a perder a pessoa amada”. A pessoa passa a se menosprezar, se desqualificar, passando a achar qualquer pessoa melhor e mais interessante do que ela. Acha que só ela ama e que só ela sofre. Tem ciúmes da própria sombra.